quinta-feira, julho 13, 2006

Já deu

Chega!
Não vou mais ficar pensando em tudo que a gente poderia ter vivido
Não vou mais me permitir ficar sofrendo por um amor não sentido
Não vou mais me lamentar por você ser um fraco e não ter se permitido

Chega!
Não vou mais sentir saudade do que íamos viver
Não vou mais me desgastar, chorar, sofrer
Não vou mais tentar falar dessas coisas com você

Chega!
Não vou me sentir culpada por ter sentido esse amor
Não vou ficar juntando pedaços do que sobrou
Não vou mais amar você. Agora é vez: acabou

Chega!
Pois se você não se permite viver uma grande paixão
Se você não deixa ver tudo pelos olhos do coração
Não merece meu respeito nem minha consideração

Chega!
Quero que você seja feliz na sua vida limitada
Quero que você encontre alguém pra percorrer a estrada
Quero muitas outras coisas, mas de você não quero mais nada.

Alone

Solidão é uma palavra escura
É uma palavra amarga
É uma palavra vazia

Solidão é uma palavra cruel
É uma palavra mortal
É uma palavra doentia

Solidão é uma palavra que dói
É uma palavra que rasga
É uma palavra que angustia

Solidão é uma palavra que arde
É uma palavra que queima
É uma palavra que não sacia

Solidão é quando eu olho pra o lado
Procuro você
E a cama está vazia.

Rotina chata

Hoje eu acordei
Porque ontem fui dormir
Fiz curativo no dedo
Pois com a faca me feri

Hoje tomei banho
Porque ontem me sujei
Comprei uma roupa nova
Lavei, passei, engomei

Hoje sai de casa
Porque tenho o que fazer
Paguei a água, a luz e o gás
Comprei um jornal pra não ler

Hoje voltei pra casa
Porque não tinha pra onde ir
Abri a porta, sozinha
Deixei meu corpo cair

Hoje fui dormir
Porque não tenho o que fazer
Olho de um lado para o outro
Mas aqui não está você.

Jogos de palavras

Ter e não ter

Querer e não ter
Poder e não ter
Saber e não ter

Ter e não querer
Ter e não poder
Ter e não saber

Saber e não querer
Saber e não poder

Poder e não querer
Poder e não saber

Querer. E não poder.

Rimas Bestas

Silêncio total
Espaços vazios
Correntes de ar
Faz calor e faz frio

No escuro do quarto
Total solidão
No chão lá da sala
Lembranças de então

A cama enorme
Não me cabe sozinha
De um lado ou de outro
Não mais me aninha

Cadê tua perna
Pesando em mim?
Cadê teu calor?
Teus braços sem fim?

Teu beijo profundo
Tuas mágicas mãos
Cadê o teu corpo
Dizendo que não?

Se esquiva de mim
A todo momento
Me evita, me tolhe
Me faz só tormento

Entrega para mim
Todo tua emoção
Se permita viver
Abre o teu coração

Cada descoberta
Cada minuto perdido
O tempo é agora
Então vem já comigo!

Me entrega depressa
Toda a urgência tua
Não olhe pra trás
Nem pra o sol, nem pra lua

Declara em silêncio
Todo o teu amor
Me toma em teus braços
Me leva que eu vou

Silêncio total
Espaços vazios
Com você há calor
Não há mais tempo frio

Devolve o brilho
Que a tua ausência levou
Me aquece em teus braços
Me dá teu amor

Se permita sentir
Mais do que o agora
Antes, durante e depois
Cada minuto, hora após hora

Toma minha mão
E segue sem medo
Comecemos a viagem
Agora, já é cedo!

Te ofereço o mais puro
O mais leve e o mais bonito
Vem junto comigo
Em direção ao infinito

E pra terminar essa rima
Vou te falar com fervor
Talvez seja um engano
Mas o que sinto é amor.

terça-feira, julho 11, 2006

Vida?

Viver é um negócio engraçado. Tem dias que a gente acorda achando tudo lindo, tudo maravilhoso.
Admira incansavelmente o brilho do sol. Se deleita com o suave cantar dos pássaros. Se inebria com o perfume das flores.

Aí, de repente, você se depara com a vida real.


Pratos para lavar. Chão para varrer.
Contas para pagar. Dores para esquecer.
Amores para administrar. Relógio a correr.

E tudo que você pensa é: droga de sol que insiste em nascer todo dia! Passarinho barulhento que não me deixa dormir!! Cheiro insuportável desse mato horroroso!!!

É isso. Viver é realmente engraçado...

Quimera

Quero ouvir por horas intermináveis
O sussurro de uma história infinita
Cheia de personagens encantados
E palavras inimagináveis

Que sua voz seja eterna
Falando baixinho ao ouvido
Gemendo gemidos suaves
Como quem nina uma criança

Que a sua mão seja leve
Enquanto toca meu corpo
Que deslize pelos contornos
Como um pássaro que voa

Que esse momento não acabe
Que essa noite não tenha fim
Que eu não desperte jamais
Para não ver que você não está aqui.

Quisera

Queria não ter me acostumado
Com o som da tua voz
Com o toque das tuas mãos
Com o cheiro do teu corpo


Queria não ter me acomodado
Com a tua presença constante
Com a luz do teu sorriso
Com o calor da tua pele

Queria não ter sentido
Tua boca na minha boca
Teu corpo no meu corpo
Tua carne na minha carne

Queria poder exorcizar
Esse cheiro insistente
Essa saliva doce e úmida
Essa marca dos teus dedos

Queria poder mais uma vez
Ter você pesando em mim
Ter você dentro de mim
Ter você assim, pra mim.

Negativas

Não reconheço o meu rosto no espelho
Não reconheço o cheiro da minha pele
Não reconheço o formato do meu corpo
Não reconheço a cor dos meus cabelos

Não vejo brilho no sol
Não vejo graça na chuva
Não vejo flores na rua
Não vejo estrelas no céu

Não sinto força na luz
Não sinto calor no dia
Não sinto frio na noite
Não sinto vida em mim

Não tenho vontade de acordar
Não tenho desejo por nada
Não tenho prazer no caminho
Não tenho cheiro nem sabor

O que eu não tenho
É você.

Lost

Perdi a noção das horas
Perdi a noção do espaço
Perdi o rumo de casa
Perdi o ritmo e o compasso


Perdi o brilho dos olhos
Perdi o vermelho da boca
Perdi o branco do riso
Perdi a voz, fiquei rouca


Perdi o ar que respiro
Perdi a luz que me guia
Perdi o som dos ouvidos
Perdi o calor do meu dia


Perdi o frescor da minha pele
Perdi os meus pés por aí
Perdi o controle do choro
Deixei o meu sangue esvair


Perdi o chão que eu piso
Perdi o prazer de viver
Perdi o meu eu no infinito
Desde que perdi você.

Sobre isso e aquilo outro

Vou te falar sobre estrelas prateadas
Sobre céu, chuva e sol
Vou te falar sobre bocas desesperadas
Sobre cheiro e sabor

Vou te falar sobre o negror da noite
Sobre a luz e a escuridão
Vou te falar sobre corpos entrelaçados
Sobre gotas de suor

Vou te falar sobre a areia da praia
Sobre as ondas e a solidão
Vou te falar sobre olhos hipnotizados
Sobre toque e sensações

Vou te falar sobre o vôo das aves
Sobre liberdade e vazio
Vou te falar sobre corações interligados
Sobre amor e paixão

Vou te falar sobre o vento no rosto
Sobre canela, açúcar e café
Vou te falar sobre um e sobre o outro
Apenas eu e você.

Pertences

A minha casa já não é mais minha
A minha cama já não me acolhe
O meu carro não me transporta
A minha mente já não obedece


A minha comida não me sacia
A minha luz já não me ilumina
O meu sorriso já não me alegra
A minha hora nunca termina

Os meus olhos não têm mais brilho
A minha pele já não aquece
Os meus pés já não me guiam
Minha saliva não umedece

A minha boca não quer calar
Meu coração já não descansa
Meus pensamentos me levam longe
Meu corpo pede tua lembrança

Por fora é quente, por dentro é frio
Os dedos tremem
Coração cheio
Ao meu lado, vazio.